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Fonte de Inspiração – Infância [Mauricio de Sousa]

In Fonte de Inspiração on 30/06/2013 at 6:31 PM

Esse é o primeiro texto de uma série de três, de onde vou explorar a minha Infância, e tentar buscar dela elementos que influenciam minha escrita, e incentivar que vocês façam o mesmo.

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Fonte de Inspiração – A Revolta dos centavos

In Fonte de Inspiração on 26/06/2013 at 12:06 AM

Opovounido

Há uma semana eu me encontro calado, entalado, obcecado e louco para fazer esse texto, fui reunindo coragem, tentando desenvolver um formato para que ele coubesse dentro da minha coluna Fonte de Inspiração. Por sorte já havia discutido com vários amigos uma inclusão futura, de temas gerais dentro da coluna, demorei um pouco mais para desenvolver o formato eu admito, mas os dois textos dessa semana, este sobre os protestos serão neste formato de temática, espero que gostem. Nessa coluna me atenho mais a temática e a subjetividade dos textos, não que eu não tenha me atido muito fortemente a estas duas coisas no formato de crítica, do qual me utilizava anteriormente, mas através de uma análise da vida.

Aliás sei que talvez muitos não concordem com este texto, mas eu precisava escrever essa coluna para colocar minhas idéias em ordem e colocar minha vida de volta nos eixos e dar seguimento aos projetos do Pulp Feeek, Sexta nesta mesma coluna uma surpresa.

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FICTION HOUSE

In Uncategorized on 19/06/2013 at 7:40 PM

Com o surgimento de um real mercado para as revistas pulp nos anos 20, muitas editoras também surgiram, eu lhes contarei a história de uma delas, a filha de Thurman T. Scott, que é um sujeito sobre o qual eu não tenho nenhuma informação, eu juro, nadinha. Sendo esse o caso eu estou aqui tomando a liberdade pra desenvolver a vida dele da maneira que eu bem entender.

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 “Rolê em Boston”

Nascido na bela Syracuse no ainda mais belo estado de Nova Iorque, o jovem Thurman, filho de Joe Luis Scott e Natasha T. Scott, viveu uma infância bucólica, seus pais trabalhavam na proeminente Indústria do Sal, e assim como toda criança da época ele se divertia jogando baralho e bebendo whisky ruim do Tennessee,  seu primeiro contato com a literatura veio por conta de seu tio, o grande Benjamin Scott, conhecido com Potato Ben, pois vendia batatas cosidas na água salgada do Canal de Erie e gastava todo seu dinheiro com livros de detetives britânicos e prostitutas de Baltimore. Ainda jovem Thurman cursa letras na Universidade de Nova Iorque, aonde consagra seu amor à literatura e enterra de vez qualquer sonho que tinha em escrever, dedicando todo seu tempo então à editoração, tomado pelo espírito empreendedor e com os bolsos cheios de dinheiro da máfia irlandesa, na década de 20 inaugura o que vem a ser uma das minhas editoras favoritas a Fiction House.

A Editora começou atendendo o que o mercado da época pedia, a publicação de pulps sobre o faroeste, esportes e aviação (!?), alguns títulos interessantes, como a Fight Stories, pra quem assim como eu é meio maluco e gosta de histórias sobre boxe,. O grosso das vendas, nessa primeira década, vinha da revista Action Stories, que trazia contos nos mais diversos gêneros, indo de contos de guerra até o faroeste. As publicações seguiram esse padrão até 1929 com a introdução do gênero detive pela revista Detective Classics e mais tarde a Detective Book Magazine, que imagino tinha esse nome pra confundir os leitores desavisados que buscavam a Detective Story Magazine. Em 39, estreou uma das minhas revistas favoritas de todos os tempos, a Planet Stories, o titulo que resgatou a editora do buraco na qual ela havia entrado durante a Grande Depressão, a revista foca no gênero “romance planetário”, uma espécie de Fantasia Cientifica que se passa em outro planeta, o gênero deu muito certo e tornou a Planet Stories a pulp mais vendida já produzida pela Fiction House.

Voltando um ano, em 38, a FH se lança no mercado de quadrinhos, que havia a pouco ganhado seu espaço na cena do entretenimento americano, com a Jumbo Comics, que variava bastante nos gêneros lançando de tudo um pouco. Em 40 lançaram a Planet Comics a versão desenhada da Planet Stories, ambas faziam seu marketing enchendo de seios suas capas, como praticamente toda revista na época.

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Com o tempo todo gênero representado nas pulps acabou ganhando seu espaço nos quadrinhos, títulos como, Ranger Comics, Man O’Mars, Sheena, the Quen of The Jungle e Wings Comics, deram vida a uma infinidade de histórias e cenários maravilhosos e merecem uma menção honrosa nesse texto.

Depois desse período poucos títulos novos foram criados, mas sejamos justos, já era suficiente, edições continuaram a correr até que em 1954 a Fiction House se viu enfrentando um problema no mínimo inesperado, a editora ganhou uma posição de destaque no livro Seduction of the Innocent, do psiquiatra Fredric Wertham, que culpou os quadrinhos pelo aumento da delinquência entre os jovens da época, apontando para as capas calientes dos quadrinhos da FH, bem como o gore existentes nos outros quadrinhos. Tudo isso, alinhado a queda do público da mídia impressa causada pela TV, ao aumento na venda de romances em brochura, e a pressão dos pais, faz com que a editora entre em crise e feche suas portas um par de anos mais tarde.

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“Imoral!”

 

No digitalcomicmuseum.com você pode baixar os quadrinhos da Fiction House e muitos outros, só o tempo de se fazer o cadastro e aprender inglês.

http://digitalcomicmuseum.com/index.php?cid=16

Alguns títulos da editora podem ser encontrados no projeto The Pulp Magazines.

http://www.pulpmags.org/magazines.html

 

 

Como Escrever Sobre: Mistério

In Editorial on 17/06/2013 at 9:00 PM

Na semana passada, por motivo de uma forte gripe, não pude escrever a coluna de quinta. Hoje, alguns compromissos me impediram de me estender sobre o tema proposto, mas prometo retornar a ele numa futura coluna.

O mistério é essencial em alguns gêneros da ficção, como fio condutor da trama. Não saber algo é um motivo de grande inquietação para o ser humano. Mas há várias maneiras de lidar com isso. Vamos tratar algumas delas.

Escancarando tudo inicialmente.

Pode parecer uma forma até paradoxal de se fazer mistério, mas uma forma de utilizá-lo é entregando a resposta logo de cara, mas misturada a diversas outras possibilidades. A partir daí, você pode pouco a pouco ir eliminando as outras possibilidades até chegar ao final da história, quando tudo é revelado.

Esse aspecto é muito usado na ficção policial, mas pode ser aplicado facilmente no horror.

Nada faz sentido.

Outra forma de explorar o mistério é com a total quebra de informações. Diversas informações podem ser dadas, mas sem uma aparente relação inicial. Pouco a pouco, novas informações surgem dando unidade as anteriores e fazendo as coisas terem sentido.

Pelo aspecto quase sufocador que isso pode proporcionar, esse tipo de evolução é mais usado no horror. Entretanto, vídeo games policiais costumam se aproveitar da técnica para gerar imersão. Outro exemplo de uso são as tradicionais histórias do detetive Sherlock Holmes, embora  sem o aspecto de sufocamento.

Tudo está claro (mas não está).

Essa técnica consiste em praticar um truque de ilusionismo. Tudo indica para um lado, e o mistério parece claro desde o primeiro momento. Entretanto, no final da trama, tudo se revela de maneira diferente.

Essa forma de apresentar o mistério é muito usada pelo autor de best sellers Dan Brown. Porém, o excesso de uso da mesma técnica fez com que sua obra se tornasse previsível. Essa técnica tem que ser usada ainda com cuidado para que tudo não pareça um grande Deus Ex Machina: algumas pistas dos acontecimentos reais tem que ser dada.

Rafael Marx

Editor Chefe da Pulp Feek.

Fonte de Inspiração – Sete Psicopatas

In Editorial on 14/06/2013 at 8:51 PM

Nesta semana falarei sobre o filme de metalinguagem mais nonsense de história e sobre como alguns elementos desse filme podem ser interessantes em uma história, e também que se você precisa de um personagem para ver uma história de fora, seu protagonista não deveria ser interpretado pelo Colin Farrell.

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Pulp View: Espada e… Planeta!

In Pulp View on 12/06/2013 at 8:17 PM

Olá! Peguem um chá e se acheguem.

Meu nome é João, sou editor da Semana de Fantasia aqui na Pulp Feeek e também sou o sujeito que achou que escrever sobre os milhões de subgêneros de ficção surgidos na primeira metade do século passado seria uma boa ideia.

E bom, o subgênero da vez é o Espada & Planeta, isso mesmo, Espada & Planeta!

Uma voz lá no fundo da sala, depois roer parte das unhas da mão esquerda, levanta e diz: “Mas João o que diabos é Espada & Planeta?”

Você ai no fundo da sala visualize a seguinte cena:

Entre uma coçada de barba e uma xícara de café alguém decidiu que misturar Fantasia e Ficção Cientifica ia ser uma boa ideia, bom assim ficaríamos com o equivalente futurista da Fantasia, a Fantasia Cientifica (que vai ter seu dia também, então nem entrarei em detalhes), mas então na mesma sala, sentado mais ao fundo, comendo uma coxinha e fumando um charuto, outro alguém começa a matutar, meio desconfortável com o sapato apertado, pensa nos autores de sucesso da sua época, em como Asimov foi magistral na sua aventura psicológica imaginando a alma das maquinas e em como H.G. Wells explorou a guerra e a dor humana num cenário nem tão inimaginável assim, ele segue pensa em Dickens, até em Lovecraft, tem algumas ideias sobre como misturar essas coisas, mas esquece de anotar num papelzinho pra desenvolver depois, também se lembrou da Espada & Magia e de como todo mundo adorava um cenário simples e cheio de porradaria, sangue, morte e peitos! Assim nosso outro alguém passou um dia todo pensando e bebendo café, até que o café acaba e no caminho à garrafa de chá ele tem uma epifania:

“Sangue, morte e porradaria with lasers!”

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Então sujeito ai do fundo, nem fale nada porque já sei o que vai dizer, “mas João, você explicou como surgiu não o que diabos é E&P (!?)?” calma, não me deixa nem molhar o bico.

Pois não seja inquieto, pra tudo há seu tempo.

            A maioria das histórias firmadas nesse gênero segue o seguinte padrão:

1- Protagonista masculino.

2-Com algum tipo de recurso cientifico super avançado, como viagem no tempo, um portal quântico (!?), um STARGATE ou uma batata mutante,  o nosso protagonista masculino é transportado pra algum outro planeta.

4-Ele é o único, ou um dos muito poucos, humanos no planeta.

3- A sociedade nesse outro planeta tem sérios problemas, seja uma guerra devastadora que ruiu os pilares da civilização, ou seja uma civilização que abandonou seu planeta dando espaço pra bárbaros alienígenas florescerem e dominarem tudo.

4-Nosso protagonista se vê tomando partido, provavelmente por causa de uma fêmea, por uma das muitas facções presente nessa sociedade barbárica, se envolvendo num conflito que poderia ser tranquilamente resolvido com o tipo certo de cerveja.

5-Nesse conflito ele sofre toda sorte daquilo que você chamaria de “merda”, mas não eu, pois sou educado em boa família, ele sofre toda sorte daquilo que eu chamaria de “inoportunos” em sua jornada pra resolver seu conflito.

6-Objetivo cumprido, ele fica com a moça derrota o vilão, descobre o tipo certo de cerveja pra trazer a paz, apenas pra que em alguns segundos um verme gigante ataque um bando de alienígenas não tão simpáticos, mas para os quais ele deve um favor.

7-Repete.

É claro que muitos saiam do padrão em uma ou duas etapas, mas no geral era dessa forma que as histórias eram desenvolvidas.

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Edgar Rice Burroughs foi muito provavelmente, não confio o suficiente nas minhas fontes pra dizer com certeza, o outro alguém da cena mais acima e criador dos 7 passos para o sucesso, ele encontrou espaço para a sua primeira publicação com a série Under The Moon of Mars, publicada nas edições da The All-Story de 1912, durante essa serialização nosso querido Burroughs usou o penname de Norman Bean, assim como muitos autores ele testou a aceitação do publico usando as Revistas Pulp, não era comum para a época o desenvolvimento de histórias tão fantasticamente ridículas, logo era natural o medo que os escritores sentiam ao publicar seus trabalhos escancaradamente aberto á critica, mas com o sucesso da série tudo muda, em 1914 ele tem sua história transformada em livro, dai pra frente é uma escada pra cima e Burroughs se consagra como romancista sem deixar de publicar suas histórias marcianas.

Encontra-se também toda uma gama de autores escrevendo para o gênero, todos à sombra de Burroughs, que vão desde cópias descaradas até histórias muito bem construídas com estilos e temáticas próprias capazes de lhe tomar boas horas de um dia sem causar nenhum tipo de arrependimento, vale citar aqui alguns nomes como Lin Carter que embora tenha recebido mais que um par de críticas por se inspirar completamente na obra de Burroughs para escrever sua série Callisto e Zanthodon, o que muitos consideram uma espécie de homenagem, mostrou todo seu potencial na série Green Star; ainda seguindo no gênero encontramos Gerard F. Conway que assinou seus trabalhos sob o penname de Wallace Moore, com sua série Balzan Of The Cat People que era vendida como o “Tarzan do Espaço Sideral” merecendo uma leitura só pelo alto nível da ação escrita por Conway.

A presença das séries nas Revistas Pulp sempre foi esporádica, com uma quantia maior de textos-testes do que de trabalhos realmente focados pra isso, devido a esse detalhe não se pode encontrar nenhuma revista focada no gênero, mas ele sempre apareceu e até mesmo ganhou seu espaço em gigantes da ficção cientifica, como a Astounding e a Planet Stories ou na própria The All-Story que lançou Burroughs.

O gênero continua sendo escrito e lido, porém seu tempo passou, todo o conteúdo novo pode ser encontrado em fóruns e online magazines, embora um pouco da temática ainda sobreviva na indústria do RPG como o MARS: Savage Worlds da Adamant Entertainment.

Caso tenha se interessado, o trabalho de Burroughs pode ser encontrado no sensacional Projeto Gutenberg http://www.gutenberg.org/ebooks/search/?query=Burroughs

Fonte de Inspiração – Bakuman

In Fonte de Inspiração on 11/06/2013 at 8:00 PM

Nesta semana falaremos de um de meus mangás preferidos. BAKUMAN e como já falei demais ai embaixo, vou deixar vocês seguirem no mais.

http://ecchimustdie.files.wordpress.com/2013/04/bakuman.jpg

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Como Escrever Sobre: Clichês 101

In Como Escrever Sobre on 10/06/2013 at 8:37 PM

O título dessa coluna é um clichê. Quase sempre que um colunista, jornalista ou outra pessoa cujo trabalho é informar resolve falar algo básico sobre um assunto, o título acaba sendo como o nome de uma matéria universitária, às vezes na forma americana (como eu usei) ou com um simples 1 na frente.

Para compensar isso, vou quebrar dois clichês. O primeiro: não vou explicar o que é um.  O segundo é uma afirmação: Clichês não são péssimos. Eles foram testados, usados, e funcionaram. Muito bem. Por isso se tornaram clichês. Eles podem contribuir imensamente para seu texto. Mas os clichês sofrem da falta justamente de uma das características que separa o bom autor do excelente: a originalidade.

A coluna de hoje não é sobre evitar clichês. Pelo contrário. Vou enumerar alguns dos mais básicos, explicar como ele pode ser usado a seu favor, onde está o limite dele, e como tentar aplicar um pouco de originalidade a ele.

Nota: Quebrar o clichê de uma coluna sobre, justamente, clichês, configura um. Notas intermediárias também.

“Ele matou minha família.”

Já reparou a superpopulação de protagonistas órfãos? Aposto que já. Harry Potter, Eragon, Peter Parker. Isso se deve, generalizando, a dois fatos: Pais são chatos, impedindo as pessoas de fazerem coisas legais, e um protagonista sem pais despertará dó. Simples, não?

Pior ainda: Na maioria das vezes, o vilão foi o responsável, direta ou indiretamente, pela morte dos pais do herói da história. Voldemort matou Thiago e Lílian Potter. E, ampliando ainda mais o clichê: o herói, às vezes, perdoa ou sente pena do responsável pela morte de seus pais.

Esse clichê é extremamente útil na hora de se criar um personagem que terá de atender ao Chamado da Aventura, pois ele não terá que se preocupar com seus pais ou entes queridos em perigo enquanto ele aprende como soltar bolas de fogo ou a usar sabres de luz. Ele também não precisará se preocupar com o desejo da mãe ou do pai de que ele fique em casa, longe dos perigos. O público ainda por cima se preocupará com o destino daquela pobre pessoa que não teve os amores paterno e materno. E, de quebra, você ganha um motivo para colocar o leitor contra o vilão.

Entretanto, esse é provavelmente um dos clichês mais recorrentes de todos. Posso passar páginas e páginas nomeando livros que usaram a ideia de maneira extremamente fidedigna, mas disfarçada. Portanto, a utilização pede por algo original.

Que tal acrescentar um irmão? Eles raramente aparecem nos personagens órfãos, porque podem representar um peso a ser carregado. Bem, mesmo que esse seja o caso, isso pode ser útil. Ou o irmão seja até quem carrega o protagonista! Talvez ele exerça o papel de mentor! Talvez o fato de esse irmão existir nem seja conhecido pelo personagem. A ficção está saturada de “Eu sou seu pai”, mas quantas vezes você viu um “Eu sou seu irmão”?

Ou talvez, os pais estejam vivos, e eles mesmos impulsionem o filho a seguir a aventura. Talvez eles deem o filho a um mago que o treinará e dará a oportunidade de uma vida melhor. Ou então, os pais podem simplesmente serem dois malditos que largaram o filho no mundo, sem necessariamente serem vilões.

O Escolhido

Serve de justificativa para o fato do personagem sempre escapar das situações ruins. As coisas foram bem porque existe uma profecia/papel que deve ser cumprida pelo protagonista. Ele tem poderes porque eles serão as ferramentas para essa missão. Ele não morre porque sem ele o mundo não conseguiria ir adiante.

Meu conselho: Não use esse clichê no seu protagonista. Nunca. O fato de ele ter algo a cumprir e ser especial pelo simples fato de ser especial é chato. Ninguém irá temer por sua vida. Ninguém irá sofrer com seus ferimentos. É simplesmente um desserviço à sua história.

O que você pode, entretanto, é brincar com o conceito. O protagonista pode ser o ajudante do escolhido. E esse escolhido pode falhar. Mais interessante ainda: o antagonista é o escolhido. E agora?

“Ele é mal porque…”

O mundo é cruel e por isso algumas pessoas são cruéis. O vilão, ou um de seus principais capangas, deve ser eximido da culpa, porque o mundo o fez ser daquele jeito. Bem recorrente, não?

Esse clichê só tem uma real função: caso o vilão ou auxiliar de vilão vá se redimir, não importa como. Caso contrário, é aconselhável que se deixe essa oportunidade passar, e você deixe o vilão sem justificativa. Porque, afinal de contas, existem coisas injustificáveis.

Um toque de originalidade pode ser dado, entretanto. Um exemplo é: a história que o vilão usa para justificar seus atos malévolos é, na verdade, uma grande mentira.

A Donzela Indefesa

Acredito que esse até mesmo dispensa apresentação. Torne mais original fazendo a donzela não ser tão indefesa assim. Mas cuidado, pois até isso está, aos poucos, se tornando um clichê.

“Eu não sigo as regras.”

Extremamente comum em romances policiais. Nosso herói faz as coisas pelo seu próprio método. Ele tem um coração puro, gosta de gatinhos/cachorrinhos, mas não tem medo de espancar o sujeito preso quando o objetivo é o bem maior.

Funciona assim: todos nós admiramos pessoas independentes. Quem faz justiça a sua própria maneira tem grandes chances de ser admirado por isso. Acontece, entretanto, que ninguém é tão unidimensional. Muitas vezes, seguir as regras é justamente a maneira mais fácil de se cumprir um objetivo. Por que não, então, variar nessa abordagem, fazendo um protagonista que segue as regras sempre que conveniente?

O Ponto Fraco

O perigo do momento, seja ele o grande vilão ou apenas um capanga, é virtualmente indestrutível. Exceto por um ponto em suas costas ou um arma específica. Uma vez que isso é descoberto, se torna fácil.

Mas na vida real, nada é fácil assim. Algo que resolve um problema uma vez não necessariamente o resolverá sempre. É muito mais interessante, tanto para o autor quanto para o leitor, que a cada vez que certo capanga aparece, seja necessário um plano diferente para o derrotar. E contra o inimigo final, é sempre mais divertido quando ambos os lados tenham forças equiparadas.

A pessoa por trás da maldade

Há um arqui-inimigo. Um mago maligno poderoso. Um imperador com ímpeto de conquista. Um chefe da máfia. Uma vez derrotada essa pessoa, o mundo melhorará. Muito útil para focar a raiva do leitor em um ponto. Afinal, toda a maldade causada pelo exército inimigo é culpa do imperador.

Bem, eu acho muito interessante quando esse papel não é preenchido. Uma organização inteira de ninjas malignos, sem uma liderança, será muito mais difícil de derrotar do que se ela for controlada por um líder. Não há cabeça a ser cortada. Podemos acabar com o mal em um ponto, mas isso não o impedirá de existir em outro e continuar se propagando.

O rival a ser superado

O protagonista quer ser o maior mestre Pokémon de todos. Mas há um rival muito mais eficiente naquele papel. Em histórias maniqueísmo, esse personagem funciona como o arqui-inimigo do clichê anterior de maneira eficiente.

Entretanto, pode ser muito mais interessante se o herói for, na verdade, a pessoa mais próxima daquele objetivo, e todos os outros o querem superar/atrapalhar. Pense nas possibilidades de conflito que são causadas por essa simples alteração.

O final feliz

O maior clichê de todos. Ele é fácil, ele é esperado. E muitos acreditam que ele é o que o público quer. O que é uma grande besteira. Não subestime os leitores. Eles estão prontos para lidar com o fato de que o vilão venceu. Ou pelo menos com o fato de que o vilão perdeu, mas os heróis também (ou pelo menos sofreram grandes perdas pelo caminho).

Não é necessário evitar o final feliz, entretanto. O que é preciso, na verdade, é seguir o curso de ação que a história tomar. Se tudo encaminhou para um final amargo ou agridoce, faça. Não force o final feliz. Isso é uma derrocada.

Você pode, ainda, fazer um final feliz, mas não completo. Talvez o protagonista jogador de basquete não tenha ganhado o campeonato amador, mas ele conseguiu seguir o seu sonho de se tornar um jogador profissional. Ou, de maneira ainda mais corajosa: talvez ele ganhe o campeonato, e nunca realize seu sonho.

Afinal, nem tudo acaba bem na vida. Desgraças acontecem, e nós temos que aprender a lidar com elas, e tirar delas um aprendizado. A vida continua, mesmo depois do capítulo final.

Rafael Marx

Editor-chefe da Pulp Feeek

PS: Poucas coisas são mais clichês numa coluna ou carta do que um post-scriptum.

PPS: Entretanto, a cada post acrescentado ao post-scriptum, o clichê diminui.

PPPS: Eu, uma vez, escrevi uma carta com 43 post-scripta.

PPPPS: Ok, agora chega.

Fonte de Inspiração – Cinema Pirata (Cory Doctorow)

In Editorial on 07/06/2013 at 11:37 PM

Hoje é dia de falar de revolução, e já que vivemos em época onde a revolução passa pela internet vamos falar de uma obra que fala de revolucionar o mundo através da internet

Cinema Pirata, é uma dessas surpresas que a gente encontra por ai e não são muito divulgadas, podia até falar aquela máxima de que o sistema não quer que a gente saiba, mas não, não acredito muito nisso, acho só que é um livro que não é muito divulgado mesmo.

Livro

Autor: Cory Doctorow

Publicada: De forma digital pelo site do Próprio autor e no Brasil pela editora Galera Record.

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Como Escrever Sobre: Os Cinco Elementos da Ficção

In Como Escrever Sobre on 06/06/2013 at 9:14 PM

Artistas plásticos  trabalham com telas, tintas, argila, mármore… Escritores de ficção têm como matéria prima os Cinco Elementos.

Mas antes de prosseguirmos, temos que explicar: alguns dirão que a ficção não consta de cinco, mas três, ás vezes quatro, elementos. Isso acontece porque, ao contrário dos artistas plásticos, que tem matérias primas concretas, os escritores lidam com coisas abstratas. Ao longo do meu estudo sobre as metodologias da escrita, conclui que o modelo mais completo e eficiente é o de cinco elementos, e por isso é a partir dele que essa, e as próximas colunas, irão trabalhar. Read the rest of this entry »

Junk Time: Espada da Verdade

In Editorial on 05/06/2013 at 9:43 PM

Fala galera. Bom dia, boa tarde e boa noite. Eu sou Luiz Leal editor da parte de Fantasia Moderna da Pulp Feeek e hoje inauguro o “Junk Time”, coluna esta que aborda obras que sofreram critica pesada e tenta extrair seus pontos positivos e irei começar falando sobre a série Sword of Truth (Espada da Verdade). Segue a lista de obras que compõe a série em ordem cronológica:

The First Confessor: The Legend of Magda Searus

Debt of Bones

Wizard’s First Rule

Stone of Tears

Blood of the Fold

Temple of the Winds

Soul of the Fire

Faith of the Fallen (meu favorito)

Pillars of Creation (o pior)

Naked Empire

Chainfire

Phantom

Confessor

The Omen Machine

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Fonte de Inspiração – Projota Muita Luz

In Fonte de Inspiração on 04/06/2013 at 8:04 PM

Bem vindos, esta é a segunda edição da “fonte de inspiração” e vou falar de um assunto que eu não só gosto e me inspiro, mas de um cara que eu respeito muito

 

Nesta semana comentarei o trabalho maravilhoso do Projota, e porque ele é uma fonte de inspiração para quem gosta de rap, e para os que não são fãs de RAP.

Musica

Cantor: José Tiago Sabino Pereira (Projota)

Selo: Independente

Tempo de Atuação: 2006 – Até hoje

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