Pulp View: Espada e… Planeta!

Olá! Peguem um chá e se acheguem.

Meu nome é João, sou editor da Semana de Fantasia aqui na Pulp Feeek e também sou o sujeito que achou que escrever sobre os milhões de subgêneros de ficção surgidos na primeira metade do século passado seria uma boa ideia.

E bom, o subgênero da vez é o Espada & Planeta, isso mesmo, Espada & Planeta!

Uma voz lá no fundo da sala, depois roer parte das unhas da mão esquerda, levanta e diz: “Mas João o que diabos é Espada & Planeta?”

Você ai no fundo da sala visualize a seguinte cena:

Entre uma coçada de barba e uma xícara de café alguém decidiu que misturar Fantasia e Ficção Cientifica ia ser uma boa ideia, bom assim ficaríamos com o equivalente futurista da Fantasia, a Fantasia Cientifica (que vai ter seu dia também, então nem entrarei em detalhes), mas então na mesma sala, sentado mais ao fundo, comendo uma coxinha e fumando um charuto, outro alguém começa a matutar, meio desconfortável com o sapato apertado, pensa nos autores de sucesso da sua época, em como Asimov foi magistral na sua aventura psicológica imaginando a alma das maquinas e em como H.G. Wells explorou a guerra e a dor humana num cenário nem tão inimaginável assim, ele segue pensa em Dickens, até em Lovecraft, tem algumas ideias sobre como misturar essas coisas, mas esquece de anotar num papelzinho pra desenvolver depois, também se lembrou da Espada & Magia e de como todo mundo adorava um cenário simples e cheio de porradaria, sangue, morte e peitos! Assim nosso outro alguém passou um dia todo pensando e bebendo café, até que o café acaba e no caminho à garrafa de chá ele tem uma epifania:

“Sangue, morte e porradaria with lasers!”

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Então sujeito ai do fundo, nem fale nada porque já sei o que vai dizer, “mas João, você explicou como surgiu não o que diabos é E&P (!?)?” calma, não me deixa nem molhar o bico.

Pois não seja inquieto, pra tudo há seu tempo.

            A maioria das histórias firmadas nesse gênero segue o seguinte padrão:

1- Protagonista masculino.

2-Com algum tipo de recurso cientifico super avançado, como viagem no tempo, um portal quântico (!?), um STARGATE ou uma batata mutante,  o nosso protagonista masculino é transportado pra algum outro planeta.

4-Ele é o único, ou um dos muito poucos, humanos no planeta.

3- A sociedade nesse outro planeta tem sérios problemas, seja uma guerra devastadora que ruiu os pilares da civilização, ou seja uma civilização que abandonou seu planeta dando espaço pra bárbaros alienígenas florescerem e dominarem tudo.

4-Nosso protagonista se vê tomando partido, provavelmente por causa de uma fêmea, por uma das muitas facções presente nessa sociedade barbárica, se envolvendo num conflito que poderia ser tranquilamente resolvido com o tipo certo de cerveja.

5-Nesse conflito ele sofre toda sorte daquilo que você chamaria de “merda”, mas não eu, pois sou educado em boa família, ele sofre toda sorte daquilo que eu chamaria de “inoportunos” em sua jornada pra resolver seu conflito.

6-Objetivo cumprido, ele fica com a moça derrota o vilão, descobre o tipo certo de cerveja pra trazer a paz, apenas pra que em alguns segundos um verme gigante ataque um bando de alienígenas não tão simpáticos, mas para os quais ele deve um favor.

7-Repete.

É claro que muitos saiam do padrão em uma ou duas etapas, mas no geral era dessa forma que as histórias eram desenvolvidas.

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Edgar Rice Burroughs foi muito provavelmente, não confio o suficiente nas minhas fontes pra dizer com certeza, o outro alguém da cena mais acima e criador dos 7 passos para o sucesso, ele encontrou espaço para a sua primeira publicação com a série Under The Moon of Mars, publicada nas edições da The All-Story de 1912, durante essa serialização nosso querido Burroughs usou o penname de Norman Bean, assim como muitos autores ele testou a aceitação do publico usando as Revistas Pulp, não era comum para a época o desenvolvimento de histórias tão fantasticamente ridículas, logo era natural o medo que os escritores sentiam ao publicar seus trabalhos escancaradamente aberto á critica, mas com o sucesso da série tudo muda, em 1914 ele tem sua história transformada em livro, dai pra frente é uma escada pra cima e Burroughs se consagra como romancista sem deixar de publicar suas histórias marcianas.

Encontra-se também toda uma gama de autores escrevendo para o gênero, todos à sombra de Burroughs, que vão desde cópias descaradas até histórias muito bem construídas com estilos e temáticas próprias capazes de lhe tomar boas horas de um dia sem causar nenhum tipo de arrependimento, vale citar aqui alguns nomes como Lin Carter que embora tenha recebido mais que um par de críticas por se inspirar completamente na obra de Burroughs para escrever sua série Callisto e Zanthodon, o que muitos consideram uma espécie de homenagem, mostrou todo seu potencial na série Green Star; ainda seguindo no gênero encontramos Gerard F. Conway que assinou seus trabalhos sob o penname de Wallace Moore, com sua série Balzan Of The Cat People que era vendida como o “Tarzan do Espaço Sideral” merecendo uma leitura só pelo alto nível da ação escrita por Conway.

A presença das séries nas Revistas Pulp sempre foi esporádica, com uma quantia maior de textos-testes do que de trabalhos realmente focados pra isso, devido a esse detalhe não se pode encontrar nenhuma revista focada no gênero, mas ele sempre apareceu e até mesmo ganhou seu espaço em gigantes da ficção cientifica, como a Astounding e a Planet Stories ou na própria The All-Story que lançou Burroughs.

O gênero continua sendo escrito e lido, porém seu tempo passou, todo o conteúdo novo pode ser encontrado em fóruns e online magazines, embora um pouco da temática ainda sobreviva na indústria do RPG como o MARS: Savage Worlds da Adamant Entertainment.

Caso tenha se interessado, o trabalho de Burroughs pode ser encontrado no sensacional Projeto Gutenberg http://www.gutenberg.org/ebooks/search/?query=Burroughs

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