Fonte de Inspiração – Sete Psicopatas

Nesta semana falarei sobre o filme de metalinguagem mais nonsense de história e sobre como alguns elementos desse filme podem ser interessantes em uma história, e também que se você precisa de um personagem para ver uma história de fora, seu protagonista não deveria ser interpretado pelo Colin Farrell.

Filme

Roteiro: Martin McDonagh

Direção: Martin McDonagh

Sinopse

 

            Marty Faranan (Colin Farrell) é um escritor que tem o sonho de terminar o seu roteiro chamado Sete Psicopatas. Porém, ele não quer que esse roteiro entre nos clichês de Hollywood e fale simplesmente de violência, ele quer também que este roteiro consiga falar de coisas transcendentais, mas em sua mente a idéia deve sair de sete personagens, Sete psicopatas.

Seu melhor amigo é Billy (Sam Rockwell), um ator desempregado que ganha a vida através do furto de cachorros e do recolhimento de suas recompensas de seus donos ao entregar os cachorros a salvo. Billy é de uma opinião totalmente contraria sobre a trama da história, acreditando que ela deveria conter muita violência, constantemente fala sobre ajudar Marty a escrever seu roteiro, dando dicas de possíveis personagens e contando a ele histórias. Billy tem um parceiro de crime chamado Hans (Christopher Walken), um homem religioso que possui uma esposa com câncer terminal, Myra.

            A trama muda de direção totalmente quando Billy furta o Shih Tzu de um mafioso chamado Charlie Costello (Woody Harrelson). Com isso a trama se desenrola e a história realmente começa a caminhar tendo agora como personagens principais: Marty, Billy e Hans que são perseguidos por Charlie, que quer reaver seu único amor, o Shih Tzu, Bonny que está em posse dos três.

 

Motivos para ver

 

Eu pensei muito em como continuar essa coluna, e esse filme estava entalado na minha garganta, então porque não fazer o que eu mais gosto, unir o útil ao agradável, expor para mais alguém o que eu penso sobre essa obra, que trás um ponto metalinguístico típico do mundo dos filmes.

 

Roteiro

 

            Este é um filme que para explicar o roteiro preciso dividi-lo em motivações.

Motivação: O fime se propõe a fazer um questionamento metalingüístico sobre a violência gratuita nos filmes de Hollywood. E ali está em modelo de debate, um personagem defende a existência de um exagero Marty (Colin Farrel), outro personagem acredita que esta violência pode gerar um benefício para uma trama, Billy (Sam Rockwell) e tem o personagem que vai tentar fazer o meio termo, horas defendendo a violência, horas defendendo a calma e a paz, Hans (Christopher Walken).

Trama: A trama peca desde o início no ponto de criar muitas sub-tramas, que não são auto-explicáveis, e nem colidem para uma única explicação ao final, os fãs de Lost podem lembrar algo. Este elemento de roteiro, é chato, irrita, e tem que ser evitado ao se construir uma trama dispersa. Pontos que ficam no ar conseguem fazer até mesmo a trama mais sólida tremer, imagine uma trama que foi construída aos poucos em elementos tirados de vários lugares?

            Personagens: Nesse tipo de história que usa a metalinguagem para discutir características, considerando estas na própria obra, é preciso considerar que os personagens são mais alegorias do que arquétipos. São camadas genéricas de diversos clichês, e a maneira que eles são construídos também podem lembrar certa homenagem engraçada e nonsense ao estilo criticado. Porque no final, não se consegue resolver os problemas dispostos pelo personagem, porque se deixa claro que todos os elementos ali supracitados funcionam bem, um clichê nem sempre deve ser evitado. Então fica a dúvida se não acaba sendo mais uma implicância pessoal do autor com todos esses elementos do gênero do que um problema que requer mudanças profundas em todo o estilo dos atuais filmes de ação de Hollywood.

            Clichês: O filme é uma sucessão de clichês, usados positivamente, para quem quer ver bons clichês, como o do Mafioso Sádico, o do Psicopata inesperado e o do escritor Alcoólatra.

Atuações

Qual o papel de um ator, ao atuar em um filme de personagens fracos? Ser capaz de interpretar dezenas de facetas ao mesmo tempo, e é isto o que estes atores fazem, ou tentam fazer neste filme. Os quatro principais, que permanecem na tela conosco o tempo todo tem papéis diferentes.

Começando pelo meu preferido. Woody Harrelson, é um ator que foi injustiçado após ter feito Zombieland, enquanto os demais membros do quarteto, receberam seu devido destaque na industria e grandes oportunidades, Harrelson continua aqui fazendo exatamente o mesmo tipo de filme. Nesse filme ele é Charlie Costello e consegue pegar nuâncias de vários estilos de mafiosos, dos Gangsters aos Yakuza, ele tem trejeitos e referências se tornando um personagem alheio no espaço, que poderia ser qualquer figura violenta de filme de ação Hollywoodiana.

Sam Rockwell, poxa não me lembro de ter gostado de um ator desse estilo dele a muitos anos, se querem fazer aquele Lanterna Verde do jeito que estão fazendo ele seria uma excelente opção para substituir meu odiado Ryan Reynold. Mas bem falando de sua atuação, seu personagem, Billy, deveria demonstrar a insanidade do herói, e como personagens que tem papel de protagonista podem muito bem ser um segundo vilão na história, com crueldade e insanidade semelhante a do oponente.

Cristopher Walken, sua atuação é uma das mais difíceis de comentar, seu personagem é o mais aprofundado, e o que tem uma gama de facetas mais diversas. Tem uma história devera trágica, mas não questiona isso, segue em frente acreditando na sua fé, ele vem talvez para dar uma maior profundidade da história a tirando da metalinguagem nonsense onde ela estava se situando.

Por fim, não gosto da atuação do Colin Farrell acho que ninguém avisou a ele o que o personagem dele é na história. Marty é como se fosse um analista de cada psicopata, e de si mesmo, o roteiro nos mostra a isso ao redor do tempo. No fim de tudo ele cresce com essa análise, então se não há essa demonstração no personagem, não consigo colocar a culpa no roteiro e sim no ator, que não consegue demonstrar em suas expressões essa capacidade de analisar os fatos, a mentira de Farrel não me convence.

 

Minha Opinião

 

            Bom, lá vou eu, eu gosto mais desse filme agora, do que quando eu comecei a escrever esse texto. Ele é um filme daquele tipo que realmente você precisa entender uma série de coisas sobre quem o escreve, e sobre as piras que giram em torno da indústria cinematográfica para poder entender.

            Não ele não é, isso era o que eu pensava antes de começar a fazer essa coluna, você não precisa ter visto um filme nunca, para ver as críticas que ele faz fazerem sentido. Porque o filme acaba sendo uma crítica a crítica contra a violência, e isso que gera o ar nonsense do filme (Lembrando que isso é uma consequência não que o filme foi feito para ser assim).

            Basicamente agora pegando um ponto lógico daqui até o fim desse texto. O que acontece é que o filme acaba tendo um efeito interessante na sua cabeça, ele discute um assunto de diferentes pontos de vista, enquanto o que se vê na tela é uma dicotomia, entre o que o mundo da ação nos oferece e o que a discussão existencial nos oferece.

            Você consegue enxergar ao ver esses dois elementos em um filme exatamente a diferença de apelo entre um e outro, conseguindo valorizar mais a discussão existencial, quando bem construída e chamativa, pois, há uma consciência da dificuldade em se fazer isso. De outro lado, o reconhecimento de que é difícil fazer um cinema de sucesso sem uma grande e boa mão de ação, porque isso empolga, e é indiscutível.

            Seguindo ainda essa linha, você consegue ver bem isso no personagem Charlie Costello, ele mesmo, passa certo ar de estar entre esses dois mundos, tamanha é a confusão que a criação de um personagem criado de estereótipos causou, e isso na minha visão acaba sendo mais genial ainda. O filme sem querer esbarra num aspecto de genialidade, que ele não queria explorar. E poderia ter sido muito mais do que foi, infelizmente, a visão do escritor e diretor não foi tão ampla assim.

 

Nível: Faltou visão, mas vale a pena.

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