Como Escrever Sobre: Mistério

Na semana passada, por motivo de uma forte gripe, não pude escrever a coluna de quinta. Hoje, alguns compromissos me impediram de me estender sobre o tema proposto, mas prometo retornar a ele numa futura coluna.

O mistério é essencial em alguns gêneros da ficção, como fio condutor da trama. Não saber algo é um motivo de grande inquietação para o ser humano. Mas há várias maneiras de lidar com isso. Vamos tratar algumas delas.

Escancarando tudo inicialmente.

Pode parecer uma forma até paradoxal de se fazer mistério, mas uma forma de utilizá-lo é entregando a resposta logo de cara, mas misturada a diversas outras possibilidades. A partir daí, você pode pouco a pouco ir eliminando as outras possibilidades até chegar ao final da história, quando tudo é revelado.

Esse aspecto é muito usado na ficção policial, mas pode ser aplicado facilmente no horror.

Nada faz sentido.

Outra forma de explorar o mistério é com a total quebra de informações. Diversas informações podem ser dadas, mas sem uma aparente relação inicial. Pouco a pouco, novas informações surgem dando unidade as anteriores e fazendo as coisas terem sentido.

Pelo aspecto quase sufocador que isso pode proporcionar, esse tipo de evolução é mais usado no horror. Entretanto, vídeo games policiais costumam se aproveitar da técnica para gerar imersão. Outro exemplo de uso são as tradicionais histórias do detetive Sherlock Holmes, embora  sem o aspecto de sufocamento.

Tudo está claro (mas não está).

Essa técnica consiste em praticar um truque de ilusionismo. Tudo indica para um lado, e o mistério parece claro desde o primeiro momento. Entretanto, no final da trama, tudo se revela de maneira diferente.

Essa forma de apresentar o mistério é muito usada pelo autor de best sellers Dan Brown. Porém, o excesso de uso da mesma técnica fez com que sua obra se tornasse previsível. Essa técnica tem que ser usada ainda com cuidado para que tudo não pareça um grande Deus Ex Machina: algumas pistas dos acontecimentos reais tem que ser dada.

Rafael Marx

Editor Chefe da Pulp Feek.

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