Rueles

FICTION HOUSE

In Uncategorized on 19/06/2013 at 7:40 PM

Com o surgimento de um real mercado para as revistas pulp nos anos 20, muitas editoras também surgiram, eu lhes contarei a história de uma delas, a filha de Thurman T. Scott, que é um sujeito sobre o qual eu não tenho nenhuma informação, eu juro, nadinha. Sendo esse o caso eu estou aqui tomando a liberdade pra desenvolver a vida dele da maneira que eu bem entender.

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 “Rolê em Boston”

Nascido na bela Syracuse no ainda mais belo estado de Nova Iorque, o jovem Thurman, filho de Joe Luis Scott e Natasha T. Scott, viveu uma infância bucólica, seus pais trabalhavam na proeminente Indústria do Sal, e assim como toda criança da época ele se divertia jogando baralho e bebendo whisky ruim do Tennessee,  seu primeiro contato com a literatura veio por conta de seu tio, o grande Benjamin Scott, conhecido com Potato Ben, pois vendia batatas cosidas na água salgada do Canal de Erie e gastava todo seu dinheiro com livros de detetives britânicos e prostitutas de Baltimore. Ainda jovem Thurman cursa letras na Universidade de Nova Iorque, aonde consagra seu amor à literatura e enterra de vez qualquer sonho que tinha em escrever, dedicando todo seu tempo então à editoração, tomado pelo espírito empreendedor e com os bolsos cheios de dinheiro da máfia irlandesa, na década de 20 inaugura o que vem a ser uma das minhas editoras favoritas a Fiction House.

A Editora começou atendendo o que o mercado da época pedia, a publicação de pulps sobre o faroeste, esportes e aviação (!?), alguns títulos interessantes, como a Fight Stories, pra quem assim como eu é meio maluco e gosta de histórias sobre boxe,. O grosso das vendas, nessa primeira década, vinha da revista Action Stories, que trazia contos nos mais diversos gêneros, indo de contos de guerra até o faroeste. As publicações seguiram esse padrão até 1929 com a introdução do gênero detive pela revista Detective Classics e mais tarde a Detective Book Magazine, que imagino tinha esse nome pra confundir os leitores desavisados que buscavam a Detective Story Magazine. Em 39, estreou uma das minhas revistas favoritas de todos os tempos, a Planet Stories, o titulo que resgatou a editora do buraco na qual ela havia entrado durante a Grande Depressão, a revista foca no gênero “romance planetário”, uma espécie de Fantasia Cientifica que se passa em outro planeta, o gênero deu muito certo e tornou a Planet Stories a pulp mais vendida já produzida pela Fiction House.

Voltando um ano, em 38, a FH se lança no mercado de quadrinhos, que havia a pouco ganhado seu espaço na cena do entretenimento americano, com a Jumbo Comics, que variava bastante nos gêneros lançando de tudo um pouco. Em 40 lançaram a Planet Comics a versão desenhada da Planet Stories, ambas faziam seu marketing enchendo de seios suas capas, como praticamente toda revista na época.

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Com o tempo todo gênero representado nas pulps acabou ganhando seu espaço nos quadrinhos, títulos como, Ranger Comics, Man O’Mars, Sheena, the Quen of The Jungle e Wings Comics, deram vida a uma infinidade de histórias e cenários maravilhosos e merecem uma menção honrosa nesse texto.

Depois desse período poucos títulos novos foram criados, mas sejamos justos, já era suficiente, edições continuaram a correr até que em 1954 a Fiction House se viu enfrentando um problema no mínimo inesperado, a editora ganhou uma posição de destaque no livro Seduction of the Innocent, do psiquiatra Fredric Wertham, que culpou os quadrinhos pelo aumento da delinquência entre os jovens da época, apontando para as capas calientes dos quadrinhos da FH, bem como o gore existentes nos outros quadrinhos. Tudo isso, alinhado a queda do público da mídia impressa causada pela TV, ao aumento na venda de romances em brochura, e a pressão dos pais, faz com que a editora entre em crise e feche suas portas um par de anos mais tarde.

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“Imoral!”

 

No digitalcomicmuseum.com você pode baixar os quadrinhos da Fiction House e muitos outros, só o tempo de se fazer o cadastro e aprender inglês.

http://digitalcomicmuseum.com/index.php?cid=16

Alguns títulos da editora podem ser encontrados no projeto The Pulp Magazines.

http://www.pulpmags.org/magazines.html

 

 

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