Fonte de Inspiração – A Revolta dos centavos

Opovounido

Há uma semana eu me encontro calado, entalado, obcecado e louco para fazer esse texto, fui reunindo coragem, tentando desenvolver um formato para que ele coubesse dentro da minha coluna Fonte de Inspiração. Por sorte já havia discutido com vários amigos uma inclusão futura, de temas gerais dentro da coluna, demorei um pouco mais para desenvolver o formato eu admito, mas os dois textos dessa semana, este sobre os protestos serão neste formato de temática, espero que gostem. Nessa coluna me atenho mais a temática e a subjetividade dos textos, não que eu não tenha me atido muito fortemente a estas duas coisas no formato de crítica, do qual me utilizava anteriormente, mas através de uma análise da vida.

Aliás sei que talvez muitos não concordem com este texto, mas eu precisava escrever essa coluna para colocar minhas idéias em ordem e colocar minha vida de volta nos eixos e dar seguimento aos projetos do Pulp Feeek, Sexta nesta mesma coluna uma surpresa.

Revolta Popular

O que tirar disso

            Lembram-se há algumas semanas atrás quando escrevia sobres escritores que defendiam uma causa? Eu falei sobre Cory Doctorow, e citei um pouco George Orewell, dois escritores que defenderam seus ideais através de seus textos. Hoje vou falar o que tirar de um evento impressionante como o que modificou nosso país.

Motivação

            Como escritores, devemos nos animar sempre que há uma eventual mudança de patamar, isso significa que as pessoas estarão sedentas mais tarde por uma expressão cultural ou uma representação dos ideais criados dentro desses grupos, cabe a nós repensarmos tudo aquilo que somos e desenvolvemos através dos mais variados anos de nosso desenvolvimento literário e recomeçar. Recomeçar assim de nosso país, motivados e inspirados, afinal o melhor momento para produzir, é o momento em resposta a ebulição popular de um povo, nunca se consumiu tanta cultura e nunca se produziu tanta cultura relevante como nos grandes momentos de revoluções culturais.

Enredo

            Não precisa ser centro da sua história, pode ser apenas um comparativo como o feito por Tolkien em Senhor dos Anéis, mas toda essa história a sua volta, independente de seu ponto de vista sempre ira afetar seu texto. É impossível não ser afetado nos dias de hoje por todas estas manifestações sendo brasileiro, morando aqui ou não, tenho conversado com gente de todo canto do Brasil e o sentimento no fundo é o mesmo.

Ares de mudança ventam para nós. E é com estes olhares que devemos olhar para as coisas daqui para frente, repousar nossas canetas, ou ainda nossos dedos por uns minutos e refletir provavelmente. O quanto nossas linhas essa histórias a nossa volta não podem se cruzar?

Outra coisa interessante que pode ser tirado desse grande movimento são os ricos caminhos por onde as informações passam hoje em dia, mesmo em diferentes gêneros, podemos fazer uso de observações sobre estes caminhos. Afinal o que é a Internet e a tecnologia se não a magia da tecnologia?

Inovações

Quando falo em inovações, falo em temáticas novas, pontos de vistas idealistas em mudos já tanto explorados, os mundos fantásticos muitas vezes foram alvos de escritores para exemplificar seus ideais de forma subjetiva, e até mesmo de forma objetiva.

Nestes momentos não tenha medo de inovar, quem sabe uma sociedade élfica anarquista? Ou um mundo de Ogros fascistas e politizados? Porque não questionar de forma profunda o Status Quo também de seu gênero já que tantas visões de mundo começam a ser questionadas.

Experimentalismo

Por fim, eu falo do experimentalismo, mas espera ai, qual a diferença entre inovar e experimentar? Experimentar é o que você faz sem realmente fazer, é aquilo que você vai tentando aos poucos sem realmente motivar drasticamente seu estilo, são coisas pequenas que você resolve tentar aos poucos. Como uma mudança na personalidade de seu personagem que pode ser apenas um sonho, ou uma ilusão.

 

Minha Opinião

A gota d’água

            É estranho, mas vivemos em uma geração de acomodados, e isso é inegável, nos acostumamos a esperar as coisas vindas do céu, ou um herói salvador imaginário aparecer para mudar nossa realidade. E acabamos nos esquecemos que nós mesmos podemos ser esta figura lendária, mais do que vê a história, a todos que vivem é dada a oportunidade de fazer história.

            Por todas estas condições, um sentimento de apatia política nos acomete, cada vez desacreditados mais no poder da democracia, ou no poder das pessoas, vamos caindo em uma teia de inconformismo sem tamanho. Até que ela cai, a gota d’água que preenche o copo que pode ser uma praça ou vinte centavos. Quase sempre é uma coisa extremamente comum e simples, algo que é tão próximo e regional, que se expande ao mundo.

Aquele cara que já é corrupto e que me tira um monte de liberdades individuais, vai me tirar mais vinte centavos? Parece banal seguir essa linha de raciocínio, foram investidos 300 bilhões em saúde, porque a gente reclama tanto de 30 bilhões em empréstimos para a realização da copa? Por quê? Porque todas estas obras, e com certeza muitos destes 300 bilhões de reais investidos em saúde foram mal administrados, colocados nos pontos errados, ou ainda desviados, antes que chegassem aos lugares que precisam. Remédios, Ambulâncias e equipamentos parados no Brasil. Não é sobre vinte centavos, é sobre um povo cansado.

Porque agora?

Não vou perder meu tempo muito neste ponto, mas vejo muitas pessoas se perguntando, porque agora? Porque não antes? Ora, porque alguém puxou o grito, e vai ficar na história, você concordando ou não com as causas, ou com as atitudes posteriores aos protestos. Chamar os movimentos que iniciaram os protestos de traidores é no mínimo ingratidão com quem já tentava puxar esse grito a séculos, dentro do movimento estudantil, e dentro de tantos outros movimentos sociais.

Quanto ao sucesso, não sou sociólogo e essa coluna chama minha opinião, mas convivendo com movimentos sociais a um bom tempo acho que posso opinar sem cagar regra. Foco, Força, Fé e Suor, são as palavras do músico Projota para definir sua música, e são também para mim as palavras que hoje melhor definem qualquer movimento social de sucesso. Foco de analisar e estudar profundamente sua causa, procurando idéias e soluções para definir os tantos problemas que as definem, e foco também para levá-la até um grupo que se identifique com ela em primeiro momento e consiga espalhar esta idéia. Força de vontade para levar adiante a luta dessa causa, promover debates e ações de divulgação, e até mesmo organizando as primeiras manifestações. Fé é a esperança, um grupo sem esperança não permanece coeso por muito tempo, os egos se inflamam e as divisões começam a fazer com que o grupo vá cada um para seu lado. Suor é o resultado dos primeiros três pontos, é o desgaste do hábito constante de Foco, Força e Fé.

O Movimento Passe Livre, responsável por pautar a principal motivação da revolta, tinha muito disso, sua história é forte, e pode ser contada em vários grandes centros, em alguns lugares com outros nomes, mas já obtendo vitórias anteriores. Sem contar um talvez quinto argumento, que eu nem sempre vejo como necessário para o sucesso de uma grande manifestação, mas que sim, serviu de combustível, para a grande massa ir as ruas apoiar a causa, o Sangue, a brutal repressão da polícia, e o despreparo de uma polícia altamente militarizada herança clara de uma ditadura militar, coisa que não deveria existir em um país democrático.

E finalizando e respondendo fortemente a pergunta do porque agora, foi porque deu certo, os movimentos conseguiram puxar o gritos pois se mantiveram firmes em sua causa.

Porque mudar?

Dentre todas as questões que as pessoas me questionam sobre o protesto, o medo das pessoas de mudarem com toda a estrutura atual é o que mais me assusta. Sei que a história do nosso país nunca viveu uma democracia, ou um único sistema político por um longo período de tempo, e que assusta pensar em formas de governos novos, mas estou vendo mais uma proposta de reflexão e reforma das coisas atuais do que realmente uma demolição total do sistema democrático em que vivemos.

Temos que não ter medo de acreditar em uma mudança, é preciso ser idealista em tempos assim, somente o idealismo exacerbado, pautado em boas causas, é que irá tirar a gente dessa sensação de comodismo, essa é uma fé que tenho e que aprendi com minha amada mãe, que como já disse em muitas oportunidades a muitos amigos morreu lutando.

Protestos na minha cidade

Não estou tendo grande participação nos protestos da minha cidade, estou comparecendo, fazendo a minha parte, queria deixar minha nota de apoio e o convite aos amigos que ainda não foram e lerem esse convite, estamos, mesmo com o mal tempo, e todos os contratempos, lá na batalha. (o lugar onde estávamos no final do protesto de domingo caiu meia hora depois de estarmos lá, e faz parte de uma de nossas reivindicações).

O que isso tudo tem a ver com inspiração e escrita?

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Apesar de ter começado esta coluna com todo um contexto, acho necessário encerrá-la com a minha opinião sobre o porquê isso é tão importante na vida de um escritor. Como já foi dito nesta coluna anteriormente, não existe nenhum escritor alheio a seus desejos pessoais, e aos fatos de seu cotidiano, a menos que ele tenha se isolado em uma bolha (né, senhor Dalton), até mesmo em Senhor dos Anéis obra do saudoso Mestre Tolkien podemos ver gigantescos elementos do mundo a sua volta. Partindo desse ponto simples, não é que isto seja uma ordem obrigatória, mas é um caminho natural a seguir, quer queira quer não, de modo explicito ou implícito um escritor vai tratar do mundo a sua volta em um mundo de fantasias por ele criado.

Por isso escrever sobre esses fatos e registrá-los e analisá-los desse meu ponto de vista de Liberal apaixonado por estes idéias, é o mínimo que posso fazer para ajudá-los a entender, em quanto estas coisas vão mudar seus textos. Eu mesmo tive mudanças substanciais em meu estilo e assumi coisas sobre meus textos nunca antes declaradas. Eu que antes me considerava um Antropofágico, hoje me vejo um experimentalista, fruto de uma geração que aprendeu tudo por tentativa e erro, e quantos dos nossos escritores brasileiros não são exatamente isso? Então a dica que eu dou, é aproveitar que o Brasil está mudando e mudar, mas assim como é importante para o país mudar em cima das coisas que já existem dentro dele, conceitos vitais e estruturas que foram construídas nesses últimos anos, vocês também como escritores devem construir-se avaliando estas coisas. Mas bem como sempre esta coluna é a minha opinião.

Nível: Estamos fazendo história.

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