Fonte de Inspiração – Infância [Mauricio de Sousa]

Esse é o primeiro texto de uma série de três, de onde vou explorar a minha Infância, e tentar buscar dela elementos que influenciam minha escrita, e incentivar que vocês façam o mesmo.

Nome: Mauricio Araújo de Sousa

Profissão: Cartunista e Empresário

Idade: 77 anos (nascido em 27 de outubro de 1935)

Trabalho: Turma do Bidu, A Turma da Mônica, Turma do Chico Bento entre outros.

 

História

            Mauricio de Sousa (1935) é um cartunista brasileiro. Criou a “Turma da Mônica”, e vários outros personagens de história em quadrinhos. É membro da Academia Paulista de Letras, ocupando a cadeira nº24. O mais famoso e premiado autor brasileiro em quadrinhos.

Mauricio de Sousa (1935) nasceu em Santa Isabel, São Paulo, no dia 27 de outubro de 1935. Filho do poeta Antônio Mauricio de Souza e da poetisa Petronilha Araújo de Souza. Passou parte de sua infância em Mogi das Cruzes, desenhando e rabiscando nos cadernos escolares. Mais tarde passou a ilustrar pôsteres e cartazes para os comerciantes da região. Aos 19 anos mudou-se para São Paulo, onde trabalhou, durante cinco anos, no jornal Folha da Manhã, escrevendo reportagens policiais.

Em 1959, quando ainda trabalhava como repórter policial, criou seu primeiro personagem – o cãozinho “Bidu”. A partir de uma série de tiras em quadrinhos com “Bidu e Franjinha”, publicadas semanalmente na Folha da Manhã, Mauricio de Sousa iniciou sua carreira. Nos anos seguintes criou diversos personagens – “Cebolinha”, “Piteco”, “Chico Bento”, “Penadinho”, “Horácio”, “Raposão”, “Astronauta”, etc. Em 1970, lançou a revista da “Mônica”, com tiragem de 200 mil exemplares, pela Editora Abril.

Em 1986, Mauricio saiu da Editora Abril e levou seus personagens para a Editora Globo. Em 1998, recebeu do então Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, a medalha dos Direitos Humanos. Em 2006 saiu da Editora Globo e hoje está na Panini, uma multinacional italiana.

Em 2007, Mônica foi homenageada “Embaixadora do UNICEF”. Pela primeira vez um personagem de histórias infantis recebe esse título. Na mesma cerimônia, Mauricio de Sousa foi homenageado “Escritor para Crianças do UNICEF”. Em 2008 o Ministério do Turismo nomeou Mônica “Embaixadora do Turismo Brasileiro”.

A publicação da “Turma da Mônica Jovem”, uma linha de personagens com 15 anos de idade, vendeu em 2008, mais de um milhão e meio de exemplares, dos quatro primeiros números da revista. Nas comemorações do centenário da Imigração Japonesa para o Brasil, Maurício criou os personagens “Tikara” e “Keika”, que foram incorporados às histórias da Turma da Mônica.

Hoje entre quadrinhos e tiras de jornais, suas criações chegam a cerca de 50 países. O autor já chegou a um bilhão de revistas publicadas. Os quadrinhos se juntam a livros ilustrados, revistas de atividades, álbum de figurinhas, CD-ROM’s, livros tridimensionais e livros em braile.

Mais de 100 indústrias nacionais e internacionais são licenciadas para produzir quase 2.500 itens com os personagens de Mauricio de Sousa, entre jogos, brinquedos, roupas, calçados, decoração, papelaria, material escolar, alimentação, vídeos e DVDs, revistas e livros. Em 2013, a “Turma da Mônica” comemorou seus 50 anos.                      FONTE: E-biografias. Devidamente revisada através de outras fontes e pesquisas como Wikipedia. Dentre outras fontes 1 2 3

Adição minha:

Nosso querido Cartunista teve estreitas relações com o Deus do Mangá Osamu Tezuka, esta amizade começou lá para a década de 70 e perdurou até a morte do autor em 1989. Recentemente na edição #43 de seu projeto Turma da Mônica Jovem, que traz de forma brilhante alguns traços do Mangá, e que revive a turma original que tanto amamos, temos a participação de alguns famosos personagens de Tezuka como o Astroboy, A princesa e o cavaleiro Kimba, o leão branco.

Lições

            Abro aqui um parêntese especial, antes de falar da riqueza dos detalhes de sua obra e como elas me inspiram. Mauricio de Sousa é por si só uma prova de empreendedorismo com a arte, sem nunca deixar de lado a qualidade de seu trabalho, lição aprendida talvez pela estreita relação que tinha com Osamu Tezuka.

Outra coisa que me surpreende fortemente na personalidade de Mauricio de Souza é a capacidade de se reinventar mesmo aos 70 anos, é admirável ver essas pessoas como ele, que não param de evoluir nunca. E com um bom humor gigantesco como demonstrado nessa entrevista dada a Rodrigo Fernandes (Jacaré Banguela), no ano passado.

Tomada essas notas vamos seguir o ritmo habitual da coluna.

O que tirar da obra dele?

            Esse estilo de quadrinho tem algo que é inerente a ele, um espírito casual, suas histórias e roteiros não são complexos. Então o que torna essas histórias tão especiais? Vou seguir um padrão das características que aparecem em suas tiras e como elas são usadas, e como poderiam ser usadas em um texto.

Personagens Cotidianos

            Seus personagens nem sempre são fruto de sua imaginação, algumas vezes eles estão ali a sua volta, são seus filhos e amigos, que vão pouco a pouco se transformando nestes personagens, muitas vezes exagerados em tons de caricatura. Os exemplos disso são os personagens inspirados em seus filhos, Mônica, Magali, Marina, Nimbus, Do Contra e Maria Cebolinha são todos personagens inspirados em filhos do autor. Outros exemplos são os personagens Pelézinho, Ronaldinho Gaúcho e Neymar Jr, inspirados nos jogadores de mesmo nome.

(Você pode ver quem é quem aqui)

Isso demonstra que muitas vezes, não precisamos ir muito longe, construir um personagem dentro da nossa mente com mil referências, ou ler milhões de livros para conseguir construir algo concreto. Ás vezes um simples cachorro quente com os amigos, pode ser o bastante para criar um personagem interessante.

É possível criar talvez muitos personagens baseados em uma única pessoa, ou a cada pessoa que você conhece um novo personagem se formar em sua mente. É claro que não se podem deixar as referências de fora, mas muitas vezes como diz a música do Jota Quest, as coisas podem estar ao seu lado.

Cenário simples

            A construção de um cenário simples pode ou não ser interessante, depende de alguns fatores.

O primeiro fato é se você tem a habilidade para descrever um cenário complexo? Pegando o exemplo de Maurício de Sousa e se formos pegar as histórias do Penadinho, ou do Papa Capim, podemos ver que ele tem sim uma habilidade para trazer esses cenários para dentro de suas histórias de forma a conectar tudo.

A segunda é seus personagens tem a necessidade desse cenário? Muitas vezes por mais rica que a história possa ficar em um cenário complexo, quando seu personagem por si só já é extremamente carregado de uma profundidade própria, trabalhar um cenário complexo requer um cuidado muito grande, e um cenário simples pode trazer mais riqueza a história do que um carregado de detalhes. É o exemplo das histórias da Turma da Mônica, se vê poucos detalhes do Bairro do Limoeiro

É claramente uma opção do autor. Mas a idéia é que o cenário não se sobreponha ao personagem, o que pode existir dentro de uma história, são pontos onde o cenário se sobressaia, ficando o personagem em segundo plano, e pontos onde o inverso aconteça. A dica é não tentar carregar os dois em ambos os pontos, pois pode fazer com que carregue muito fortemente a cabeça do leitor de detalhes e possa confundi-lo.

É claro que não estou falando que os personagens não devem interagir com o cenário não é isso. O que estou tentando deixar claro é que, o ideal é que essas interações ocorram de forma mais sucintas e diretas, até mesmo para manter um dinamismo.

Atualidade

            Um elemento importante das obras de Maurício de Sousa é sua capacidade de se atualizar até mais cedo que as outras mídias. Enquanto vemos na novela do momento pessoas que nem sabem direito como usar um Pen Drive, ou o que é um jogo de RPG. Em suas obras Maurício de Sousa já coloca elementos da Cultura Nerd, tão frequentemente na moda hoje em dia.

Trazer muitas vezes personagens de relevância para suas histórias, sem contar o tom crítico, muitas vezes implícito em uma piada aparentemente infantil sobre um fato ocorrido nos tempos modernos. Que nos leva a refletir de um ponto de vista sincero tal qual o de uma criança.

É claro que nem todos nós iremos escrever publicações infantis, ou com uma rotina mensal, e com essa capacidade gigantesca de adaptação que as do Maurício permitem, mas isso já foi feito por outros autores de outros públicos, essa capacidade de se adaptar e discutir através do seu viés de publicação o mundo atual.

Minha Opinião

Como eu aprendi a ler

            Não sei como a maioria das crianças aprende a ler, eu acho que deve ser na escola, né? Mas comigo foi diferente, aprendi a ler em casa com a minha avó.  E logo que aprendi a ler qual foi à primeira coisa que eu fui devorar? Na lata, se eu estou falando sobre isso agora, é porque foram os quadrinhos do Maurício de Sousa.

Minha mãe tinha uma coleção enorme de revistas, que logo havia lido todas, dava para encher um armário antigo da família só com aquelas revistas, que infelizmente acabei perdendo por conta da minha prima (Se algum dia por acaso você ler meu blog, sem magoas Ok Helo?). E foi com essas revistas que desenvolvi minha leitura.

Então todo meu desempenho escolar desde então, até o fato de hoje eu escrever aqui para vocês tem a ver com o comecinho, com o fato de eu querer aprender a ler, para ler as revistas desse cara, procurar novas palavras, e explorá-las.

Porque eu ainda leio

            Se tiver uma coisa, que sempre vejo o Mauricio falando em suas entrevistas, é que seus leitores, mesmo velhos ainda compram as revistas, eu compro poucas, bem menos do que eu gostaria, mas ainda assim de vez em quando passo na banca pegar uma.

Eu leio por dois motivos, o primeiro é porque estou amando acompanhar o projeto TMJ (Turma da Mônica Jovem). Que apesar de muitas criticas que tem recebido, por ai é um excelente trabalho. O segundo, por que volto a sentir aquele gostinho da infância, de rir das piadinhas da Turma, das caipirices do Bento, ou das histórias nonsenses do Bidu.

É bom voltar a ser criança por alguns minutos com aquela revista na mão, esquecer de trabalho, responsabilidade, do vestibular, do Blog (AHÁ adivinhem porque esse texto demorou a sair? Sim eu passei na Banca e comprei 4 revistas).

E acho que é isso que faz todos os leitores voltarem sempre a ler a revista.

A influência do Maurício no jeito que eu escrevo

            Quando estava escrevendo esse texto, tomando todo cuidado, e atenção ao analisar, esse cara que eu respeito tanto, eu fui percebendo as influências que recebo dele no meu estilo.

Para quem só conhece o meu trabalho pela coluna aqui da Pulp Feeek, e não pode ver meus trabalhos anteriores, eu sou um escritor experimentalista, que desenvolve personagens baseados totalmente em pessoas que eu vejo por aí. Meus cenários são extremamente simples e minha história tem um foco grande nas relações entre as pessoas, ou nas relações consigo mesmo.

Essas características vêm da obra do Mauricio de Sousa, claro que tenho influências de outros autores e é deles que tratarei nas próximas semanas.

Pequena e singela homenagem

            Esta série de três textos que estou fazendo é uma homenagem aos quadrinhos da minha infância.

NOTA: Como é bom ler Maurício, cheira como Nostalgia.

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